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É preciso falar sobre o câncer de endométrio

Na área oncológica, o mês de julho é dedicado à prevenção de cânceres ginecológicos. E o destaque da vez é o câncer de endométrio. Silencioso, como tantos outros tipos da doença, este é o sexto mais comum entre as mulheres. Segundo aponta, para 2017 são previstos, pelo Instituto Nacional do Câncer, no Brasil, cerca de 7 mil casos novos. O diretor do IOM, dr. Sávio Rocha, explica que o câncer de endométrio se manifesta, em cerca de 90% das vezes, através de um sangramento uterino anormal. E em uma pequena parcela (cerca de 10%), pode se apresentar através de um corrimento vaginal anormal. - Ele acomete uma população de risco preferencial. São as mulheres com idade mais avançadas, com mais de 55 anos de idade, e também, mulheres que têm exposição à terapia de estrogênio, ou níveis elevados de estrogênio no sangue, por exemplo, como as que tem obesidade, diabetes, que fazem utilização de algum medicamento à base de estrogênio – pontua. Segundo o especialista, as mulheres que iniciaram a menstruação muito cedo estão mais suscetíveis ao câncer de endométrio, assim como as mulheres que vão levar mais tempo para entrar na menopausa. Ele ressalta que a relação do câncer de endométrio com a exposição de estrogênio, com os hormônios estrogênicos, é muito íntima e importante. - Além dos grupos já citados acima, as mulheres que utilizam o medicamento tamoxifeno, por exemplo , para tratamento de câncer de mama, também tem os riscos aumentados. Assim como uma parcela bem pequena da população feminina , que são as mulheres que tem câncer de cólon, associado Síndrome de Lynch. Esse grupo de pessoas precisa ter uma vigilância maior para o seu útero, porque o endométrio é a membrana interna que recobre o útero -acrescenta. Dr. Sávio acrescenta que, principalmente quem está nesses grupos de risco, precisa ficar atenta e ir ao ginecologista regularmente, pois o diagnóstico precoce aumenta em 90% as chances de cura, com cirurgia. - Se a mulher tiver um sangramento uterino inesperado, deve fazer avaliação ginecológica, até mesmo uma ultrassom transvaginal, exame simples, oferece bastante informação a respeito do que o médico vai precisar fazer. Identificando uma suspeita, essa mulher vai passar por uma novo exame, a histeroscopia diagnóstica. É importante frisar que, nem toda alteração ou biópsia do útero vai chegar ao disgnóstico de câncer. Algumas doenças benignas também podem causar pequenos sangramentos no útero. Mas é importante que o diagnóstico seja precoce – enfatiza. O tratamento do câncer de endométrico depende da extensão do tumor e é a equipe médica que vai definir a melhor estratégia de tratamento, que pode envolver cirurgia, radioterapia e se completar, às vezes, com quimioterapia. Como prevenir – A melhor forma de prevenir o câncer de endométrio é evitar os fatores que são evitáveis. Quem tem na família casos de câncer de cólon ou de endométrio, por exemplo, pode fazer uma avaliação oncogenética para ver se há alguma mutação. Outra forma é evitar exposição excessiva aos estrogênios e, também, combater a obesidade e o tabagismo. - As estratégias de prevenção são mudança de hábitos. É preciso também, fazer o controle do diabetes e, quem usa Tamoxifeno, deve fazer acompanhamento rigoroso com o oncologista. Ao notar quaisquer sinais e sintomas, como sangramento vaginal anormal ou aumento do fluxo, comunique imediatamente ao médico para que a causa seja identificada e, se necessário, iniciado o tratamento. Qualquer atraso em procurar ajuda médica pode permitir que a doença progrida ainda mais, diminuindo as chances de sucesso no tratamento – finaliza dr. Sávio.

 

Dr. Sávio Moreira - Oncologista e Diretor do Instituto de Oncologia de Macaé